Que papel tem a espiritualidade na nossa comunidade de vida e de
trabalho? Teremos como (aspirantes a) habitantes de chegar a acordo nos
nossos pontos de partida quanto à espiritualidade, antes de podermos
tomar decisões sobre as nossas condições concretas de vida e de
trabalho?
Pensamos que não. Para nós este é o aspecto de menor relevância duma
comunidade. Estamos convencidos que os pontos de partida comuns sobre a
vida e o trabalho têm a sua origem em diferentes convicções nos campos
espirituais religiosos ou humanitários.
Achamos sobretudo que as
questões de ordem espiritual são pessoais, que não definem primáriamente a forma e o conteúdo da vida quotidiana na nossa aldeia; não temos necessidade dum pensamento único.
A espiritualidade é uma faceta da vida humana que é muito íntima e
muito dificil de descrever. Não achamos que seja necessário alcançar sintonia neste campo antes de podermos funcionar como um grupo. A
espiritualidade não se pode ou deve incorporar numa "espiritualidade da aldeia".
Tal como em outros assuntos do foro íntimo, faltam-nos muitas vezes as palavras para comunicar precisamente o essencial. Tal como para explicar a alguém qual é o sabor do vinho novo. Não conseguimos explicar o que provamos, continuará sempre a ser algo de subjectivo. Não é em si nada de grave. Há sempre muito mais de que poderemos disfrutar em grupo.
É suficiente provarmos o vinho juntos e sabermos quanto nós e os outros apreciamos cada copo. Assim deveria ser também com a espiritualidade. Saber que ela está presente, e não necessitar da confirmação dos outros para poder saborear a sua riqueza.
Não existe uma necessidade de concordância no campo espiritual.
Deixemos cada um livre e poderemos apreciar a pluralidade. Não queremos recair na asneira de uniformizar e de formular regras didácticas para criarmos servos duma instituição engrandecida. Não exigimos dos outros a reafirmação da nossa própria individualidade, o ênfase tanto para nós
como para os outros é a liberdade para podermos evoluir e crescer.
Não nos ocupamos a querer criar estruturas onde estas não são necessárias. Não vamos discutir esperando chegar a um acordo, só para um ano mais tarde descobrirmos que o acordo não durou mais que um dia. Porque a nossa evolução ou a dos outros leva-nos muito mais além, e o acordo já ficou para trás.
Nós pensamos que sim. Um grupo de inspiração ecológica, uma comunidade
de vida e de trabalho pode ser uma forma de mudar o rumo da vida,
Evitamos certas formas de pressão e escolhemos juntos como um grupo
outras regras de jogo. As novas regras que fazemos são as mais
apropriadas para uma nova forma de viver. Como por exemplo: Menos danos
ao ambiente. Menos desperdício de matérias primas. Menos efeitos e
emissões prejudiciais ao clima.
Estas escolhas parecem agora ser impraticáveis, e em escala individual
parecem uma pequena insignificância. Mas em grupo temos o apoio uns dos
outros para perseverar e para tentármos encontrar uma vida com mais
prosperidade e bem-estar, sem que no fundo da nossa rua e no mundo em
geral pessoas tenham de morrer porque cozinhámos o bolo de forma a que
para eles não reste nada.
Podemos preparar-nos desde que deixemos de confiar nas conversas dos
políticos e em vez disso como grupo procuremos descobrir o que
realmente queremos.